Agosto Lilás: informação também é uma forma de proteção.
Agosto ganhou uma cor e um propósito: o lilás. Todos os anos, o mês reforça a conscientização sobre a violência contra a mulher e a importância de prevenir, denunciar e romper ciclos de agressão.
Em 2026, a campanha ganha um significado ainda mais especial: a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei nº 11.340 criou mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher, além de estabelecer medidas de assistência e proteção.
Mas, duas décadas depois, falar sobre violência contra a mulher continua sendo necessário.
Isso porque violência não começa necessariamente com uma agressão física. Muitas vezes, ela aparece primeiro de maneira silenciosa: no controle, na humilhação, na ameaça, no isolamento e na tentativa de tirar da mulher sua autonomia.
Nem toda violência deixa marcas no corpo
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar.
Violência física
É aquela que atinge a integridade ou a saúde corporal da mulher.
Empurrões, tapas, socos, chutes, apertões, queimaduras e outras agressões físicas são exemplos.
Violência psicológica
Pode ser mais difícil de identificar, justamente porque nem sempre deixa marcas visíveis.
Ameaças, humilhações, constrangimentos, chantagens, manipulação, perseguição, isolamento de familiares e amigos e controle excessivo são comportamentos que podem fazer parte desse tipo de violência.
Violência sexual
Acontece quando a mulher é obrigada, por meio de força, ameaça, intimidação ou outras formas de coerção, a participar de uma relação ou prática sexual que não deseja.
Consentimento importa. Dentro ou fora de um relacionamento, ninguém é obrigada a fazer algo contra a própria vontade.
Violência patrimonial
Também pode acontecer de forma silenciosa.
Destruir ou esconder documentos, controlar dinheiro, impedir que a mulher trabalhe, destruir objetos pessoais ou reter bens e recursos são exemplos de comportamentos que podem caracterizar violência patrimonial.
Violência moral
Inclui comportamentos que atingem a honra e a dignidade da mulher, como calúnia, difamação e injúria.
Quando o controle é confundido com amor
“Ele só tem ciúmes porque gosta de mim.”
“Ele não quer que eu saia porque se preocupa.”
“Ele controla meu celular porque tem medo de me perder.”
Frases como essas podem aparecer em relacionamentos abusivos e, com o tempo, comportamentos de controle podem se tornar cada vez mais graves.
Impedir amizades, controlar roupas, localização, dinheiro e redes sociais, exigir senhas, fazer ameaças ou tentar afastar a mulher de sua família não são demonstrações de amor.
Controle não é cuidado. Ciúme não é prova de amor. E violência não é normal em nenhum relacionamento.
Reconhecer esses sinais pode ser o primeiro passo para buscar ajuda.
A mulher não precisa esperar a agressão física acontecer
Um dos objetivos do Agosto Lilás é justamente ampliar a informação.
A mulher não precisa esperar chegar ao limite para procurar orientação.
A rede de proteção pode ajudar a compreender quais caminhos estão disponíveis, quais direitos podem ser acionados e quais medidas podem contribuir para aumentar sua segurança.
A legislação brasileira prevê medidas protetivas de urgência para mulheres em situação de violência. Alterações recentes na legislação também reforçaram a proteção diante de diferentes formas de risco.
Medidas protetivas podem ajudar a interromper o ciclo de violência
As medidas protetivas têm como objetivo proteger a mulher e seus dependentes diante de uma situação de risco.
Dependendo do caso, podem envolver restrições ao agressor e outras determinações destinadas a preservar a integridade física, psicológica, sexual, patrimonial e moral da mulher.
A legislação atual estabelece que as medidas protetivas podem permanecer enquanto persistir a situação de risco.
Por isso, diante de uma situação de violência, buscar orientação especializada é importante.
Onde pedir ajuda?
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
O Ligue 180 é um serviço gratuito do Governo Federal voltado à orientação, acolhimento, informação e registro e encaminhamento de denúncias relacionadas à violência contra a mulher.
O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também oferece atendimento pelo WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180, além de outros canais de atendimento.
190 — Polícia Militar
Em uma situação de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
A mulher também pode procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou qualquer delegacia de polícia.
E se a vítima for alguém próximo?
Nem sempre a mulher consegue denunciar imediatamente.
Medo, dependência financeira, presença de filhos, ameaças e falta de apoio podem dificultar a decisão de romper o ciclo de violência.
Por isso, familiares, amigos, vizinhos e colegas também podem exercer um papel importante.
Se você perceber sinais de violência, procure oferecer escuta sem julgamento.
Em vez de perguntar:
“Por que você ainda está com ele?”
Prefira:
“Eu acredito em você. Como posso ajudar?”
Uma mulher que está vivendo violência precisa saber que não está sozinha.
Violência digital também merece atenção
A violência contra a mulher também pode acontecer no ambiente virtual.
Em 2026, novas diretrizes federais passaram a fortalecer a proteção das mulheres na internet, incluindo medidas relacionadas à divulgação não autorizada de conteúdo íntimo e ao uso de inteligência artificial para criação de imagens íntimas falsas.
Isso mostra que a proteção precisa acompanhar também as novas formas de violência que surgem no ambiente digital.
Agosto Lilás: romper o silêncio é responsabilidade de todos
Os 20 anos da Lei Maria da Penha representam duas décadas de avanços na proteção das mulheres, mas também lembram que a legislação precisa caminhar junto com informação, acolhimento, prevenção e uma rede de proteção preparada para agir.
O Agosto Lilás não deve ser apenas uma campanha de um mês.
Deve ser um convite permanente para que a sociedade reconheça a violência, não normalize comportamentos abusivos e ajude mulheres a terem acesso aos seus direitos.
Se você vive uma situação de violência, procure ajuda.
Se conhece uma mulher que está passando por isso, ofereça apoio.
O silêncio protege o agressor. A informação pode proteger uma vida.
📌 SERVIÇO
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
Orientação, acolhimento, informações e denúncias. Atendimento 24 horas.
WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180
190 — Polícia Militar
Para situações de emergência ou risco imediato.
DEAM — Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
Procure a unidade de sua região ou a delegacia de polícia mais próxima.
Importante: em situação de perigo imediato, procure um local seguro e acione a Polícia Militar pelo 190.
Fonte
Ministério das Mulheres; Presidência da República/Planalto; Ministério da Justiça e Segurança Pública.
