Câncer de mama: novos dados alertam para diagnóstico tardio e baixa cobertura de mamografias no SUS

 

Panorama de 2026 aponta desafios no acesso ao rastreamento, diagnóstico e tratamento da doença; Bahia aparece entre os estados com maior cobertura mamográfica

Tratamento do câncer de mama: duração, fases e o que esperar.

O início do Outubro Rosa chega acompanhado de um alerta sobre a atenção ao câncer de mama no Brasil.

Dados apresentados pelo Panorama do Câncer de Mama apontam que o país ainda enfrenta dificuldades para garantir que as mulheres tenham acesso oportuno ao rastreamento, ao diagnóstico e ao tratamento da doença.

O levantamento é produzido a partir de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e reúne informações utilizadas para acompanhar a atenção ao câncer de mama no país. A plataforma é uma iniciativa do Instituto Natura em parceria com organizações ligadas ao movimento de atenção oncológica.

Mamografia de rastreamento ainda alcança uma parcela pequena da população-alvo

Um dos principais desafios apontados pelo Panorama é a baixa cobertura da mamografia de rastreamento.

Dados divulgados em 2026 mostram que, entre 2015 e 2024, a cobertura do exame pelo SUS entre mulheres de 50 a 69 anos permaneceu em torno de 23,7%, muito abaixo dos 70% utilizados como referência internacional para cobertura populacional adequada.

O cenário também apresenta diferenças importantes entre as regiões brasileiras.

Segundo dados divulgados pelo Panorama, essas desigualdades fazem com que mulheres de diferentes partes do país tenham oportunidades distintas de acesso ao diagnóstico precoce.

E a situação da Bahia?

A Bahia aparece entre os estados com maior cobertura de mamografia de rastreamento nos dados mais recentes divulgados pelo Panorama.

Isso, porém, não significa que o acesso esteja resolvido.

Mesmo em estados com indicadores superiores à média nacional, ainda existe uma parcela expressiva da população que não realiza o rastreamento recomendado.

É importante diferenciar cobertura de rastreamento de diagnóstico de câncer. Uma mulher pode realizar uma mamografia de rastreamento e ainda assim precisar de outros exames para investigar uma alteração encontrada.

Diagnóstico precoce faz diferença

O câncer de mama pode apresentar melhores possibilidades de tratamento quando identificado em fases iniciais.

Por isso, o acesso ao diagnóstico não depende apenas de a mulher conhecer os sinais da doença. É necessário que exista uma rede capaz de oferecer avaliação, exames complementares, confirmação diagnóstica e tratamento em tempo adequado.

O Instituto Natura destaca justamente essa necessidade de combinar informação com acesso efetivo aos serviços de saúde.

Mulheres mais jovens também precisam de atenção

Um ponto importante para o debate sobre câncer de mama é evitar a ideia de que a doença só aparece depois dos 50 anos.

Mulheres mais jovens também podem desenvolver câncer de mama.

Por isso, sintomas ou alterações persistentes nas mamas precisam ser avaliados por profissionais de saúde, independentemente da idade.

O Instituto Natura também chama atenção para esse ponto: a mamografia pode ser indicada em qualquer idade quando existe suspeita ou indicação médica.

Isso é diferente do rastreamento de mulheres sem sintomas, que segue critérios específicos de idade e periodicidade.

Quais alterações devem ser investigadas?

Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão:

  • caroço ou nódulo persistente na mama;
  • alteração no formato ou tamanho da mama;
  • mudança na pele, como retração ou aspecto semelhante à “casca de laranja”;
  • alteração ou retração do mamilo;
  • secreção espontânea pelo mamilo;
  • aumento persistente de uma região da mama;
  • alterações percebidas durante a rotina de cuidado com o próprio corpo.

A presença de um desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve ser investigada.

Informação precisa vir acompanhada de acesso

O Outubro Rosa costuma ser marcado por campanhas de conscientização, mas os dados do Panorama mostram que informar as mulheres é apenas uma parte do desafio.

É preciso garantir que, depois de procurar o serviço de saúde, a mulher consiga realizar os exames indicados e tenha acesso aos profissionais e tratamentos necessários.

Em artigo publicado pelo Instituto Natura, especialistas destacam que o Brasil ainda precisa avançar na organização do rastreamento, na distribuição dos exames e na agilidade dos encaminhamentos.

Outubro Rosa começa, mas o cuidado não termina em outubro

O primeiro dia de outubro marca o início de um mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama.

Mas a saúde das mamas não deve entrar na agenda apenas durante uma campanha.

O mais importante é que cada mulher conheça seu histórico de saúde, mantenha suas consultas e exames indicados em dia e procure atendimento diante de qualquer alteração.

Outubro Rosa pode ser o momento de lembrar. O cuidado precisa continuar o ano inteiro.

 

Fonte: Panorama do Câncer de Mama/Instituto Natura, com dados do SUS, além de informações institucionais do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Texto: conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher, com identificação das fontes utilizadas.