Criado por duas assistentes sociais franciscanas, o CDVida atua na Baixada Fluminense com acolhimento, formação e defesa dos direitos das mulheres.

Uma iniciativa que nasceu da escuta de mulheres que buscavam ajuda na Igreja completou 28 anos de atuação. O Centro de Defesa da Vida Irmã Hedwiges Rossi, conhecido como CDVida, celebrou sua trajetória em agosto, reunindo profissionais, voluntários e integrantes da comunidade em torno de uma missão: enfrentar a violência doméstica e familiar.
Localizada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a instituição foi criada em 1998 pelas irmãs Eunice Berri e Maria Lunardi. Além de religiosas da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, ambas são assistentes sociais.
Segundo o histórico oficial do centro, a iniciativa surgiu diante da procura de mulheres por apoio e das dificuldades de acesso a atendimento. O projeto recebeu o apoio de dom Mauro Morelli, então bispo da Diocese de Duque de Caxias, e tornou-se uma obra social da Ação Social Paulo VI, a ASPAS.
Da escuta ao atendimento especializado
A resposta construída pelas fundadoras tomou a forma de um serviço organizado de acolhimento. Hoje, o CDVida apresenta sua atuação em três frentes: prevenção, formação e articulação por políticas públicas.
O Projeto Vida reúne acolhimento, atendimento interdisciplinar, encaminhamento e acompanhamento de mulheres em situação de violência. A instituição também promove palestras, cursos, rodas de conversa e seminários para ampliar o conhecimento sobre o problema.
Essa atuação se estende à participação em espaços de discussão e controle social, em parceria com a rede de enfrentamento à violência contra a mulher no município. O objetivo é contribuir para que as necessidades identificadas no atendimento também sejam consideradas nas políticas públicas.
Autonomia financeira faz parte do trabalho
A geração de renda é outra dimensão do atendimento. O CDVida desenvolve oficinas de artesanato, gastronomia e serviços, voltadas à capacitação de mulheres que desejam contribuir com a renda familiar ou garantir o próprio sustento.
Ao reunir acolhimento e formação, a instituição procura oferecer recursos para que as participantes ampliem suas possibilidades de escolha. A proposta reconhece que enfrentar a violência envolve também condições materiais, acesso à informação e oportunidades.
A defesa dos direitos humanos e a valorização da vida das mulheres estão entre os objetivos expressos pela organização, que inclui a economia solidária em suas iniciativas de trabalho e renda.
Trajetória reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça
Em 2022, o trabalho recebeu o Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral, na categoria Organizações Não Governamentais. Na ocasião, o Conselho Nacional de Justiça destacou a atuação do centro na prevenção e no enfrentamento da violência doméstica na Baixada Fluminense.
A publicação do CNJ descreveu serviços de atendimento psicossocial, orientação jurídica e atividades coletivas, além de ações de capacitação profissional. Também registrou a campanha SOS Mulheres, criada para arrecadar alimentos e itens de higiene diante das dificuldades enfrentadas pelas famílias.
O reconhecimento documenta uma trajetória em que a inspiração religiosa se articula com atendimento profissional e defesa de direitos.
Uma celebração dedicada às mulheres e a quem as acolhe
A comemoração dos 28 anos ocorreu em 29 de agosto de 2026 e foi relatada em setembro pela Conferência da Família Franciscana do Brasil. Durante o encontro, foram homenageadas as fundadoras e as pessoas que contribuíram para a continuidade da instituição.
No texto assinado pela irmã Clarice Berri, a missão do CDVida aparece ligada à esperança e ao compromisso com as mulheres, suas famílias e a sociedade.
A trajetória dá uma expressão concreta à fé que motivou a iniciativa: organizar acolhimento, mobilizar pessoas e manter a dignidade feminina no centro do trabalho.
Fontes: Conferência da Família Franciscana do Brasil, CDVida — história institucional, CDVida — frentes de atuação e Conselho Nacional de Justiça.
Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.
