Claudiana trabalhou como doméstica e chegou ao doutorado em Educação pela Ufes

Primeira da família a ingressar no ensino superior, pesquisadora capixaba destaca a importância das bolsas de estudo e da rede de apoio em sua trajetória.

 

Ex-empregada doméstica se torna doutora pela Ufes

Claudiana Raymundo dos Anjos, de 41 anos, concluiu o doutorado em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Antes da carreira acadêmica, trabalhou como babá e empregada doméstica. Sua história foi apresentada em setembro pelo Folha Vitória, em reportagem da jornalista Patricia Maciel.

Filha de uma trabalhadora doméstica, Claudiana foi a primeira pessoa da família a chegar ao ensino superior. O incentivo de amigas, que a matricularam em um pré-vestibular comunitário, ajudou a aproximar uma possibilidade que ela considerava distante.

Apoio para entrar e permanecer

O ingresso no curso de Artes aconteceu em 2010. Para frequentar a graduação integral, Claudiana contou com economias e apoio familiar. Posteriormente, uma bolsa do Programa de Educação Tutorial contribuiu para sua aproximação com a pesquisa.

A trajetória também passou pela maternidade. Durante o doutorado, iniciado em 2022, a participação da família nos cuidados com o filho foi fundamental para os estudos e as viagens de pesquisa ao México. Ao relatar a conquista, ela ressaltou o apoio emocional e prático recebido.

Uma pesquisadora dedicada à educação inclusiva

Os registros acadêmicos da Ufes mostram o vínculo de Claudiana com a investigação sobre ensino de Arte e deficiência visual. Sua dissertação de mestrado, defendida em 22 de maio de 2020, analisou a atuação de uma professora de Arte com um estudante com baixa visão.

Um trabalho publicado nos anais do Seminário Nacional de Educação Especial e do Seminário Capixaba de Educação Inclusiva apresenta um recorte dessa dissertação. O texto discute as condições de realização do trabalho docente com estudantes com deficiência visual na rede estadual do Espírito Santo.

Esse percurso permite conhecer Claudiana também pelo conhecimento que produz. Seu campo de pesquisa coloca em discussão o cotidiano escolar e as condições necessárias para que diferentes estudantes participem das experiências de aprendizagem.

Oportunidades que tornam a formação possível

A história convida a olhar para as condições que permitem a uma mulher estudar: tempo, recursos, acesso à formação e divisão das responsabilidades familiares. O ingresso na universidade é uma etapa; permanecer e desenvolver uma carreira acadêmica exige condições para continuar.

Reconhecer essas necessidades amplia o significado da conquista. Ao lado da dedicação pessoal, aparecem pessoas e instituições que ajudam a transformar uma intenção em um caminho possível.

No caso de Claudiana, o doutorado acrescenta um novo capítulo a uma trajetória ligada à educação pública e à pesquisa sobre inclusão. A conquista reúne a dimensão pessoal da formação e a contribuição de uma mulher para o conhecimento sobre a escola.

Fontes: Folha Vitória — reportagem de Patricia Maciel, publicada em 16 de setembro de 2026, Ufes — registro da dissertação de mestrado e Ufes — publicação sobre ensino de Arte e prática docente.

Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.