Você faz exercícios, mas passa o dia sentada? Entenda por que essa rotina merece atenção

 

Longos períodos com pouco movimento também precisam entrar nos cuidados com a saúde; pequenas pausas complementam a prática regular de exercícios.

 

 

Sedentarismo ocupacional: pausas no trabalho previnem impactos - Vida  Simples

 

Fazer uma caminhada pela manhã ou frequentar a academia são hábitos importantes para a saúde. Mas existe outro aspecto da rotina que merece atenção: o tempo passado sentada no trabalho, nos deslocamentos e durante o descanso diante das telas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda limitar o comportamento sedentário e incluir mais movimento no cotidiano. Isso significa observar tanto a prática de exercícios quanto as horas de pouca atividade que se acumulam ao longo do dia.

Permanecer muito tempo sentada está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros problemas de saúde. A relação depende também do nível de atividade física da pessoa, por isso a orientação é combinar exercícios regulares com oportunidades de movimento fora do horário de treino.

Praticar exercícios e passar menos tempo sentada são cuidados complementares

Comportamento sedentário e atividade física insuficiente são conceitos diferentes. O primeiro envolve permanecer acordada, sentada, reclinada ou deitada, com baixo gasto de energia. O segundo se refere a não alcançar os níveis recomendados de atividade física.

É possível, portanto, manter uma rotina de exercícios e ainda acumular muitas horas de comportamento sedentário. Uma mulher que treina antes do expediente, trabalha sentada e passa a noite diante da televisão pode reunir essas duas condições no mesmo dia.

Uma revisão científica divulgada pela Agência FAPESP em 2023 reforçou a importância de considerar o conjunto da rotina. O trabalho, com participação de pesquisadores brasileiros, reuniu evidências sobre os efeitos do comportamento sedentário e apontou questões que ainda precisam de investigação.

Pequenas pausas ajudam a incluir movimento

Para quem trabalha no computador, reduzir o tempo sentada nem sempre depende de grandes mudanças. Deslocar-se para buscar água, caminhar durante um intervalo ou aproveitar uma ligação para se movimentar, quando possível, são formas de interromper a permanência prolongada na cadeira.

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde apresenta como orientação prática movimentar-se por pelo menos cinco minutos a cada hora em comportamento sedentário. A proposta pode ajudar a organizar pausas durante o expediente, respeitando as condições de mobilidade de cada pessoa.

Esse intervalo funciona como uma referência para a rotina. Não representa uma garantia de eliminar riscos nem uma regra que substitua a avaliação individual. A revisão divulgada pela FAPESP destaca que ainda faltam evidências para estabelecer quanto o tempo sedentário precisa ser reduzido para afastar os riscos à saúde.

O movimento também acontece fora da academia

A atividade física inclui movimentos realizados nos deslocamentos, nas tarefas domésticas, no trabalho e no lazer. Exercícios são uma parte desse conjunto, com atividades planejadas e estruturadas.

Caminhar em trajetos possíveis e seguros, brincar de forma ativa com as crianças e participar de atividades de lazer que envolvam movimento são oportunidades para uma rotina mais ativa. A OMS reforça que alguma atividade é melhor do que nenhuma e que os benefícios não dependem exclusivamente de sessões longas.

As pausas, porém, devem acompanhar a prática regular de exercícios, considerando também a intensidade das atividades. Uma breve caminhada pelo escritório não equivale automaticamente a um treino aeróbico ou de fortalecimento muscular.

Uma rotina mais ativa também depende do ambiente

A possibilidade de se movimentar é influenciada pelas condições de trabalho, pela segurança dos trajetos e pelo acesso a espaços adequados. A OMS reconhece que fatores sociais, ambientais e econômicos interferem nas oportunidades de atividade física.

No cotidiano, identificar períodos longos sem movimento pode ser um primeiro passo. Para quem já se exercita, essa observação amplia o cuidado com a saúde. Para quem está começando, permite encontrar mudanças possíveis e incorporá-las gradualmente.

 

Fontes: Organização Mundial da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde — Ministério da Saúde e Agência FAPESP.

Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.