Doomscrolling: quando o excesso de notícias negativas prejudica a saúde mental

Você já pegou o celular apenas para conferir uma notícia e, quando percebeu, havia passado vários minutos — ou até horas — consumindo conteúdos sobre tragédias, crises e acontecimentos preocupantes?

Esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum e recebeu um nome: doomscrolling.

O termo descreve o hábito de navegar continuamente por notícias e publicações negativas, mesmo quando elas começam a provocar ansiedade, medo ou sensação de impotência. Embora a busca por informação seja importante, o consumo excessivo desse tipo de conteúdo pode afetar diretamente o equilíbrio emocional e a qualidade de vida.

O que é doomscrolling?

A palavra surge da junção dos termos em inglês doom, que significa “fatalidade” ou “catástrofe”, e scrolling, o ato de deslizar a tela do celular.

Na prática, trata-se do comportamento de consumir repetidamente notícias ruins, muitas vezes sem perceber que esse hábito já deixou de ser informativo e passou a gerar sofrimento emocional.

Durante esse processo, a pessoa continua rolando a tela na expectativa de encontrar uma resposta, uma boa notícia ou uma sensação de controle sobre os acontecimentos, mas normalmente encontra apenas mais conteúdos que aumentam a preocupação.

Por que nosso cérebro faz isso?

O cérebro humano foi desenvolvido para identificar ameaças e reagir rapidamente a situações de perigo.

Esse mecanismo foi essencial para a sobrevivência da espécie ao longo da evolução. No entanto, hoje somos expostos diariamente a um volume praticamente infinito de informações vindas de todas as partes do mundo.

Mesmo quando esses acontecimentos não representam um risco direto para nossa vida, o cérebro interpreta muitas dessas notícias como sinais de alerta, mantendo o organismo em estado constante de vigilância.

O papel das redes sociais

As plataformas digitais também contribuem para manter esse ciclo.

Os algoritmos costumam priorizar conteúdos que despertam maior engajamento, e notícias negativas geralmente provocam mais comentários, compartilhamentos e reações do que conteúdos positivos.

Isso faz com que o usuário seja exposto repetidamente a informações alarmantes, prolongando o tempo de permanência nas redes sociais.

Como o doomscrolling afeta a saúde mental?

A exposição contínua a notícias negativas pode provocar diversos impactos emocionais, entre eles:

  • aumento da ansiedade;
  • sensação constante de preocupação;
  • estresse elevado;
  • irritabilidade;
  • pensamentos pessimistas;
  • dificuldade para relaxar;
  • sintomas depressivos em pessoas mais vulneráveis.

Além disso, muitas pessoas entram em um ciclo difícil de interromper: quanto mais preocupadas ficam, mais procuram notícias para tentar entender o que está acontecendo. E quanto mais notícias consomem, maior se torna a ansiedade.

O sono também pode ser prejudicado

Um dos hábitos mais comuns é utilizar o celular antes de dormir.

Quando esse momento é preenchido por notícias negativas, o cérebro permanece em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para uma boa noite de sono.

Dormir mal interfere diretamente na memória, na concentração, no humor e até no funcionamento do sistema imunológico.

Jovens estão entre os mais afetados

Pesquisas recentes indicam que adolescentes e adultos jovens apresentam maior vulnerabilidade ao doomscrolling.

Isso ocorre porque essa faixa etária costuma passar mais tempo conectada às redes sociais e também sofre mais influência do chamado FOMO (Fear of Missing Out), expressão utilizada para descrever o medo de perder informações, acontecimentos ou experiências importantes.

Essa necessidade constante de estar atualizado favorece o consumo excessivo de conteúdo e aumenta o desgaste emocional.

Como reduzir esse hábito?

Não é necessário abandonar completamente as redes sociais ou deixar de acompanhar as notícias.

O mais importante é desenvolver um consumo mais consciente da informação.

Algumas atitudes podem ajudar:

  • definir horários específicos para acompanhar as notícias;
  • evitar o uso do celular antes de dormir;
  • limitar o tempo nas redes sociais;
  • seguir perfis que compartilhem conteúdos positivos e educativos;
  • praticar atividades físicas;
  • investir em momentos de lazer e convivência com amigos e familiares;
  • fazer pausas durante o uso das telas;
  • observar como você se sente após consumir determinado conteúdo.

Informação deve gerar conhecimento, não sofrimento

Estar informado é fundamental, mas quando o excesso de notícias começa a comprometer o bem-estar emocional, é hora de rever os hábitos digitais.

Buscar equilíbrio entre informação e saúde mental permite aproveitar os benefícios da tecnologia sem abrir mão da tranquilidade, do descanso e da qualidade de vida.