Pesquisa brasileira usa inteligência artificial para prever complicação após cirurgia de tireoide

 

Ferramenta desenvolvida no A.C.Camargo analisa o risco de queda do cálcio no sangue; resultados ainda precisam ser validados em outros hospitais.

Médico Utiliza Tecnologia De Ultrassom Para Inspecionar A Glândula Tireoide  Da Mulher E Imagem Para Download Gratuito - Pngtree

Pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center desenvolveram um modelo de inteligência artificial para estimar o risco de hipocalcemia transitória, uma redução temporária do cálcio no sangue que pode ocorrer após a retirada total da tireoide. O estudo utilizou informações de 7.066 pacientes operados entre 2014 e 2024.

Publicado em maio na revista científica Scientific Reports e divulgado pela Agência FAPESP em 5 de outubro, o trabalho busca oferecer suporte às decisões médicas durante a recuperação cirúrgica. Entre os participantes da base utilizada no desenvolvimento, 77,3% eram mulheres. PMC

Por que o cálcio pode cair após a cirurgia?

Próximas à tireoide, as glândulas paratireoides produzem o PTH, hormônio que participa do controle do cálcio no organismo. Durante a operação, a manipulação dessas estruturas pode comprometer temporariamente seu funcionamento.

A queda do cálcio pode provocar formigamentos e cãibras. Nos quadros mais graves, há possibilidade de convulsões e alterações cardíacas. Identificar o risco ajuda a equipe a planejar o acompanhamento e avaliar a necessidade de intervenção. A.C.Camargo

Modelo foi testado em novos pacientes

Depois do desenvolvimento, a ferramenta foi avaliada em 149 novos pacientes submetidos à cirurgia na instituição. Nesse grupo, 31 apresentaram hipocalcemia transitória.

O sistema cruza informações de diferentes etapas do atendimento, incluindo dados anteriores à operação, características do procedimento e resultados pós-operatórios. O melhor desempenho ocorreu com a incorporação das informações obtidas depois da cirurgia.

Níveis baixos de PTH, retirada de linfonodos dos dois lados do pescoço e duração da operação estiveram entre os fatores associados ao risco. Essas relações estatísticas, porém, não demonstram isoladamente que cada fator provoque a complicação. Scientific Reports

Apoio para decisões individualizadas

Uma das dificuldades do pós-operatório está nos casos em que os exames apresentam alterações, mas o paciente permanece sem sintomas. A ferramenta busca ajudar a equipe a reconhecer quem tem maior probabilidade de desenvolver o problema.

Segundo o A.C.Camargo, a plataforma fornece uma estimativa individual de risco e utiliza recursos que mostram quais informações contribuíram para o resultado. Essa transparência permite ao profissional compreender melhor a previsão e considerá-la junto à avaliação clínica. A.C.Camargo

Validação em outros hospitais é o próximo passo

Os resultados foram obtidos com pacientes de uma única instituição, o que limita sua aplicação automática a outros serviços. A próxima etapa prevista é testar o modelo em diferentes hospitais.

A proposta é apoiar a decisão médica, mantendo os exames e a avaliação profissional como parte do cuidado. Embora a pesquisa tenha demonstrado capacidade de prever o risco, ainda é necessário verificar seu desempenho em outras populações e contextos de atendimento. agencia.fapesp.br

Fontes: Agência FAPESP, A.C.Camargo Cancer Center e estudo publicado na Scientific Reports.

Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.