Criadora do Chá da Terra, no Distrito Federal, agricultora reúne tradição, capacitação e preservação do Cerrado em um empreendimento familiar.

Antes de reconhecer no próprio trabalho uma possibilidade de negócio, Josefa Francisca Ataide já cultivava alimentos e plantas no quintal. Os conhecimentos vieram da mãe, das tias e de outras mulheres da família. Com formação técnica e aprendizado em gestão, essa experiência deu origem ao Chá da Terra, no Distrito Federal.
Em reportagem publicada pela Agência Sebrae em 2 de outubro, a agricultora contou que uma das mudanças foi perceber o valor econômico daquilo que sabia fazer. “Eu não conseguia ver isso como um negócio”, afirmou. agenciasebrae.com.br
Produzir também exigiu aprender a administrar
A estruturação do empreendimento trouxe desafios de infraestrutura, divulgação e comercialização. Parte da receita precisava voltar para a produção.
Com apoio do Sebrae, Josefa buscou conhecimentos sobre preços, finanças, embalagens e acesso a mercados. O marido, Antônio, participa do trabalho, que também conta com a filha. agenciasebrae.com.br
Um quintal que também recebe estudantes

O Chá da Terra funciona em São Sebastião e se tornou espaço de troca de conhecimentos. Em maio de 2026, recebeu uma turma da Especialização em Educação, Meio Ambiente e Sociedade do Instituto Federal de Brasília (IFB).
Durante a visita, os estudantes conheceram o cultivo, o armazenamento das plantas e as etapas de processamento. Também passaram pelo laboratório e pelo espaço de comercialização, acompanhando diferentes partes da atividade desenvolvida na propriedade.
Josefa apresentou seu trabalho de recuperação da vegetação e relatou o retorno de animais, entre eles jacus, saracuras e araras-canindé. O encontro aproximou a formação acadêmica da experiência cotidiana da agricultora. ifb.edu.br
Um pote vazio ajuda a preservar uma memória
Entre os recipientes mostrados aos visitantes, um estava vazio: o destinado ao velame-branco. Segundo o registro do IFB, Josefa mantém o pote como uma forma de lembrar a planta, descrita na publicação como ameaçada de extinção.
O detalhe revela uma dimensão do trabalho que ultrapassa a venda de produtos: preservar referências sobre espécies e conhecimentos que podem desaparecer. ifb.edu.br
Reconhecimento entre empreendedoras do Distrito Federal
Em setembro, Josefa conquistou o terceiro lugar na categoria Produtora Rural ou Artesã da etapa distrital do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.
A edição de 2026 recebeu 149 inscrições no Distrito Federal e reconheceu 15 mulheres, distribuídas em cinco categorias. A cerimônia ocorreu em 11 de setembro e reuniu trajetórias da produção rural, do artesanato, de pequenos negócios, da tecnologia e do comércio internacional.
Para Josefa, a premiação acrescenta visibilidade a uma atividade construída a partir de conhecimentos familiares e desenvolvida com formação e experiência de mercado. Agência Sebrae de Notícias
Fontes: Agência Sebrae — trajetória de Josefa, Instituto Federal de Brasília — visita ao Chá da Terra e Sebrae-DF — resultado da premiação.
Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.
