Dados mostram diferenças na cobertura do exame entre os estados brasileiros e reforçam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico do câncer de mama.

Cobertura do exame ainda está abaixo dos parâmetros considerados necessários para ampliar o diagnóstico precoce do câncer de mama no Brasil
O acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda apresenta grandes diferenças entre as regiões brasileiras. Dados do Panorama do Câncer de Mama, elaborado a partir de informações oficiais do DataSUS, mostram que a cobertura da mamografia de rastreamento entre mulheres de 50 a 69 anos ficou em apenas 23,7% no período de 2015 a 2024 — índice muito inferior aos 70% utilizados como referência em estudos sobre rastreamento populacional.
O cenário chama atenção porque o diagnóstico em estágios iniciais está diretamente relacionado às possibilidades de tratamento e ao prognóstico da doença. Segundo o Ministério da Saúde, de maneira geral, o prognóstico tende a ser mais favorável quando o câncer de mama é identificado e tratado precocemente.
Câncer de mama continua sendo um importante problema de saúde pública
O câncer de mama está entre os principais desafios de saúde para as mulheres brasileiras. A doença apresenta diferentes comportamentos e fatores de risco, sendo a idade um dos principais fatores associados ao seu desenvolvimento.
A detecção precoce é uma das estratégias fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento adequado e reduzir o impacto da doença. Por isso, o acesso aos exames, à avaliação médica e ao tratamento precisa ocorrer de maneira integrada e sem grandes diferenças entre as regiões do país.
O próprio Ministério da Saúde destaca a importância da Atenção Primária na identificação de alterações suspeitas e no encaminhamento adequado das pacientes para avaliação especializada.
Quem deve fazer mamografia pelo SUS?
É importante esclarecer uma mudança recente nas recomendações.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar o rastreamento mamográfico de rotina pelo SUS para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. A alteração ampliou a faixa etária anteriormente utilizada, que ia até os 69 anos.
Isso não significa que mulheres mais jovens não possam realizar o exame.
De acordo com o Ministério da Saúde, o SUS não restringe o acesso à mamografia para mulheres entre 40 e 49 anos ou acima de 74 anos que desejem realizar o exame. Nesses casos, a decisão deve considerar a avaliação individual, os riscos e os benefícios, com orientação de um profissional de saúde.
Além disso, quando existem sinais ou sintomas suspeitos, a mamografia pode ter finalidade diagnóstica e não deve ser confundida com o rastreamento de rotina. A investigação de alterações mamárias pode ser necessária independentemente da idade.
Desigualdade regional preocupa
Os números do levantamento mostram que o acesso ao rastreamento não acontece de maneira uniforme no país.
Roraima aparece entre os estados com menor cobertura, com 3,5%, seguido por Tocantins, com 6,1%, e Rondônia, com 10,5%. Na outra ponta, estados como Piauí, Bahia e São Paulo apresentam índices superiores, mas ainda distantes do parâmetro de 70% utilizado no estudo.
A desigualdade revela que ampliar o número de exames realizados é apenas uma parte do desafio. É necessário garantir que as mulheres tenham acesso à informação, às unidades de saúde, aos exames complementares, ao diagnóstico e, quando necessário, ao tratamento em tempo adequado.
Mais exames não significam apenas mais mamografias
Dados do INCA mostram que o SUS realizou aproximadamente 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo cerca de 4 milhões exames de rastreamento em mulheres sem sintomas. Mais de 1 milhão desses exames foram realizados fora da faixa etária que, até então, era considerada prioritária para o rastreamento.
O dado reforça a necessidade de organização da rede de saúde e de estratégias que levem o exame às mulheres que efetivamente integram o público prioritário.
Informação também salva vidas
Outro desafio é fazer com que as mulheres conheçam seus direitos e saibam quando procurar atendimento.
A presença de alterações como caroço persistente na mama ou axila, mudanças na pele, alteração no formato da mama, retração do mamilo ou secreção sanguinolenta deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Nessas situações, a mulher não deve esperar chegar à idade do rastreamento de rotina. A mamografia ou outros exames podem ser solicitados de acordo com a avaliação clínica.
A importância de uma rede de cuidado
O enfrentamento do câncer de mama depende de uma rede que funcione de forma integrada: informação, prevenção, atenção básica, diagnóstico, confirmação da doença, tratamento e acompanhamento.
A mamografia é uma importante ferramenta de detecção precoce, mas não substitui a avaliação médica. Da mesma forma, o exame não deve ser interpretado isoladamente: resultados suspeitos precisam de investigação adequada e acompanhamento especializado.
O desafio brasileiro, portanto, não está apenas em aumentar a quantidade de mamografias realizadas, mas em garantir que as mulheres tenham acesso ao cuidado no momento certo, independentemente de onde vivem.
Informação que merece ser compartilhada
O câncer de mama pode atingir mulheres de diferentes idades. Conhecer os sinais de alerta, manter acompanhamento de saúde e conversar com um profissional sobre a necessidade de exames são atitudes importantes.
Se você percebeu alguma alteração nas mamas, procure uma unidade de saúde. Não espere o sintoma desaparecer sozinho.
