Menopausa mais precoce pode estar associada ao envelhecimento cerebral, apontam estudos

Pesquisas recentes encontraram relação entre a idade da menopausa, alterações cerebrais e desempenho cognitivo; especialistas ressaltam que os resultados não provam causa e efeito
A idade em que a mulher entra na menopausa pode estar relacionada a diferenças no envelhecimento do cérebro. É o que indicam pesquisas recentes que investigaram a relação entre o momento da menopausa, alterações estruturais no cérebro e desempenho cognitivo.
Um dos estudos acompanhou 2.603 mulheres por até 18 anos e encontrou uma associação entre menopausa espontânea mais precoce e maior presença de alterações na substância branca do cérebro, além de diferenças em medidas de memória e cognição. Os resultados também apontaram diagnóstico mais precoce de Alzheimer entre algumas participantes.
Outro trabalho, publicado no JAMA em setembro de 2026, também encontrou associação entre menopausa mais precoce e declínio cognitivo mais acelerado.
O que os pesquisadores observaram?
No estudo publicado no JAMA Network Open, as mulheres que passaram pela menopausa espontânea em idade mais jovem apresentaram maior acúmulo de hiperintensidades da substância branca, alterações identificadas em exames de imagem cerebral e que podem estar relacionadas à saúde dos pequenos vasos sanguíneos e das fibras nervosas.
Também foram observadas diferenças no desempenho de testes relacionados à cognição global e à memória episódica.
Essas associações permaneceram mesmo depois que os pesquisadores levaram em consideração fatores como idade, escolaridade, pressão arterial e índice de massa corporal.
Isso significa que a menopausa precoce causa Alzheimer?
Não.
Essa é uma das principais informações que o Clinia Mulher precisa deixar clara.
Os estudos identificaram uma associação estatística entre a idade da menopausa e determinados indicadores de saúde cerebral. Isso não permite afirmar que entrar na menopausa mais cedo seja a causa do Alzheimer ou de outras doenças neurodegenerativas.
A própria reportagem sobre o estudo destaca essa limitação, e os pesquisadores apontam que ainda são necessárias investigações para compreender melhor os mecanismos envolvidos.
Qual seria o papel do estrogênio?
Uma das hipóteses investigadas pelos pesquisadores envolve a redução dos níveis de estrogênio que ocorre durante a transição para a menopausa.
O estrogênio participa de diversos processos no organismo e tem receptores presentes em diferentes regiões do cérebro. Por isso, pesquisadores estudam se mudanças hormonais relacionadas à menopausa podem influenciar determinados aspectos da saúde cerebral.
No entanto, essa hipótese ainda não significa que a reposição hormonal seja uma forma comprovada de prevenir Alzheimer ou outros tipos de demência.
A indicação de terapia hormonal depende do quadro individual da mulher, dos sintomas, da idade, do tempo desde a menopausa e de outros fatores de saúde.
O que é considerado menopausa precoce?
É importante diferenciar os termos.
A menopausa é definida clinicamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência da menstruação.
Quando ela acontece antes dos 45 anos, costuma ser chamada de menopausa precoce.
Quando ocorre antes dos 40 anos, utiliza-se o termo insuficiência ovariana prematura (IOP) ou menopausa prematura em determinados contextos clínicos.
Essas situações merecem avaliação médica porque podem estar relacionadas a diferentes causas e podem ter implicações para a saúde óssea, cardiovascular, sexual e reprodutiva.
E a memória durante a menopausa?
Alterações de memória e concentração são queixas relativamente comuns durante a transição menopausal.
Algumas mulheres relatam:
- dificuldade para se concentrar;
- sensação de “memória fraca”;
- dificuldade para encontrar palavras;
- esquecimento de tarefas;
- alterações no sono;
- cansaço e redução da disposição.
Esses sintomas não significam, por si só, que a mulher esteja desenvolvendo demência.
Sono inadequado, ansiedade, estresse, alterações hormonais e outros problemas de saúde também podem afetar atenção e memória.
O que a mulher pode fazer para cuidar da saúde do cérebro?
Embora não exista uma estratégia que elimine completamente o risco de doenças neurodegenerativas, diversos fatores de saúde estão relacionados ao envelhecimento cerebral.
Entre os cuidados que fazem parte de uma rotina saudável estão:
Atividade física: manter-se fisicamente ativa contribui para a saúde cardiovascular e geral.
Controle da pressão arterial: hipertensão não controlada pode prejudicar os vasos sanguíneos, inclusive os que irrigam o cérebro.
Controle de glicemia e colesterol: alterações metabólicas precisam ser acompanhadas e tratadas quando necessário.
Sono adequado: dormir bem é importante para memória, atenção e bem-estar.
Alimentação equilibrada: uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes, proteínas e fontes de fibras, contribui para a saúde geral.
Convívio social e estímulo intelectual: manter relações sociais e atividades cognitivamente estimulantes também faz parte de um envelhecimento saudável.
Quando procurar um médico?
A menopausa faz parte do processo natural de envelhecimento feminino, mas sintomas muito intensos ou o desaparecimento da menstruação em idade considerada precoce merecem avaliação.
A mulher deve procurar um ginecologista ou outro profissional de saúde quando apresentar:
- interrupção da menstruação antes dos 45 anos;
- ondas de calor muito intensas;
- alterações importantes do sono;
- mudanças persistentes de humor;
- perda de memória que interfere nas atividades cotidianas;
- dificuldade de concentração persistente;
- outros sintomas que causem preocupação.
O profissional poderá investigar a causa dos sintomas e avaliar a necessidade de exames ou tratamento.
Menopausa não significa perda da capacidade intelectual
É importante evitar a associação automática entre menopausa e perda cognitiva.
A mulher pode passar pela menopausa e continuar plenamente ativa, produtiva e intelectualmente saudável.
As pesquisas atuais ajudam a compreender melhor como o envelhecimento feminino e as alterações hormonais podem se relacionar com o cérebro, mas ainda existem muitas perguntas sem resposta.
Por isso, o mais importante é interpretar os resultados científicos com cautela e manter o acompanhamento da saúde ao longo das diferentes fases da vida.
Fonte jornalística complementar: Folha de S.Paulo, reportagem sobre a pesquisa publicada em setembro de 2026.
Nota editorial do Clinia Mulher: conteúdo produzido e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher com base em pesquisas científicas e informações jornalísticas identificadas nesta matéria. O texto não reproduz integralmente as publicações originais.
