Brechós, feiras de troca e serviços de reparo aproximam estilo, economia e aproveitamento das roupas, valorizando também o trabalho de pequenos empreendedores.
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Uma roupa que deixou de servir, uma bolsa que precisa de reparo ou uma peça esquecida no armário podem ganhar novos usos. Entre compras em brechós, trocas e ajustes, a moda de segunda mão reúne caminhos para renovar o guarda-roupa e prolongar a vida de produtos que já existem.
Essa proposta esteve no centro da campanha Setembro de Segunda Mão 2026, promovida pelo Instituto Fashion Revolution Brasil. A iniciativa apresentou uma programação de atividades gratuitas em diferentes regiões do país, com foco no cuidado, no conserto e na circulação responsável das roupas.
O movimento também chamou atenção para as pessoas que tornam essas alternativas possíveis: costureiras, sapateiros, comerciantes de brechós e organizadores de feiras de troca.
Preço, qualidade e estilo entram na decisão
A economia é um dos principais motivos que levam consumidores aos brechós. Em pesquisa divulgada pelo Sebrae-SP em 2025, 71% dos entrevistados citaram preços mais baixos entre as razões para comprar nesses estabelecimentos. A qualidade dos produtos foi mencionada por 45%, enquanto sustentabilidade e consumo consciente apareceram com 43%.
O levantamento ouviu 400 consumidores de brechós entre abril e maio daquele ano. Os resultados ajudam a compreender as motivações desse público, sem representar o comportamento de toda a população brasileira.
A busca por peças diferentes também integra essa experiência. Em reportagem publicada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em agosto de 2026, a empreendedora Daiane Lima, que atua no segmento há uma década, relatou perceber maior interesse por roupas com personalidade e identidade própria.
Na mesma reportagem, a consumidora Marina Barroso contou que começou a frequentar brechós para economizar e incorporou o hábito às suas escolhas de consumo.
O estado da peça importa tanto quanto o preço
Uma compra vantajosa depende das condições do produto e da possibilidade de usá-lo. Em outra divulgação da pesquisa do Sebrae-SP, 44% dos entrevistados disseram já ter desistido de uma compra por causa do estado de conservação das peças.
Preços considerados elevados e problemas de organização ou higienização também apareceram entre as dificuldades relatadas. A variedade de tamanhos foi apontada como uma oportunidade de melhoria na experiência de compra.
Para quem está começando a frequentar brechós, observar costuras, fechos, forro e sinais de desgaste ajuda a avaliar o item. Quando houver necessidade de ajuste, o custo do serviço deve entrar na comparação. Uma peça barata que exige reparos extensos pode não corresponder ao orçamento disponível.
Reparar também é uma escolha de consumo
A circulação de roupas depende de mais do que encontrar uma nova dona. Consertar um zíper, ajustar uma barra ou recuperar um calçado são exemplos de serviços que permitem continuar usando o que já está no armário.
O Fashion Revolution Brasil destacou esse trabalho na campanha de setembro, ao defender a valorização social e econômica dos profissionais envolvidos. A proposta amplia a discussão sobre sustentabilidade para incluir remuneração, conhecimento técnico e condições de trabalho.
Antes de descartar uma peça, consultar quem realiza reparos pode revelar possibilidades. O orçamento e a avaliação profissional ajudam a decidir se a recuperação atende à necessidade de quem vai usar.
Renovar o guarda-roupa começa por reconhecer o que já existe
Separar roupas por frequência de uso pode ajudar a identificar peças esquecidas, ajustes pendentes e compras que realmente fazem falta. Também permite reconhecer quais itens podem ser trocados, vendidos ou doados em condições adequadas.
O preço acessível de uma peça usada continua exigindo uma decisão: ela combina com a rotina, serve bem e terá uso? Essa avaliação aproxima a compra da necessidade real.
Entre adquirir, trocar e consertar, há espaço para diferentes escolhas. Aproveitar melhor o guarda-roupa envolve conhecer as próprias preferências e considerar o caminho que cada peça ainda pode percorrer.
Fontes: Fashion Revolution Brasil, Sebrae-SP — perfil do consumo em brechós, Sebrae-SP — experiência dos consumidores e Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.
