Nova diretriz internacional coloca semaglutida e tirzepatida como primeira opção no tratamento da obesidade
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Nova diretriz muda a abordagem do tratamento da obesidade
O tratamento da obesidade acaba de ganhar um importante reforço científico. O American College of Physicians (ACP) publicou uma nova diretriz que recomenda semaglutida e tirzepatida como primeira escolha para adultos com obesidade que necessitam de tratamento medicamentoso, sempre em conjunto com mudanças no estilo de vida.
Segundo o documento, pessoas com IMC igual ou superior a 30 kg/m² devem ter prioridade para esses medicamentos quando houver indicação clínica. Para indivíduos com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) e doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou doenças cardiovasculares, a recomendação também é iniciar o tratamento com essas medicações.
A obesidade é uma doença crônica
A diretriz reforça um conceito importante: a obesidade não é falta de força de vontade, mas uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais.
Especialistas ressaltam que combater o preconceito é fundamental para ampliar o acesso ao tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Brasil já segue caminho semelhante
Embora o documento americano seja novidade, o Brasil já havia publicado, em 2025, uma diretriz conjunta de importantes sociedades médicas colocando semaglutida e tirzepatida entre os principais medicamentos para o tratamento da obesidade, especialmente em pacientes com maior risco cardiovascular.
Quanto é necessário emagrecer?
Os especialistas destacam que o objetivo não é apenas reduzir o peso por motivos estéticos.
As evidências mostram que:
- perda de 3% do peso já melhora glicemia e triglicerídeos;
- entre 5% e 10%, há melhora da qualidade de vida, do colesterol HDL e redução de dores articulares;
- acima de 10%, diminui o risco cardiovascular e melhora a gordura no fígado;
- perdas superiores a 15% podem reduzir a mortalidade e favorecer a remissão do diabetes tipo 2.
Tirzepatida ou semaglutida: qual é melhor?
Os estudos mostram que ambas apresentam excelente eficácia.
Em uma comparação direta, a tirzepatida promoveu perda média de aproximadamente 20% do peso corporal, enquanto a semaglutida alcançou cerca de 14% após 72 semanas de tratamento. Entretanto, a escolha depende do perfil clínico, custo, objetivos terapêuticos e decisão compartilhada entre médico e paciente.
O maior desafio continua sendo o acesso
Apesar do avanço das recomendações internacionais, especialistas lembram que o tratamento ainda enfrenta barreiras importantes no Brasil. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece medicamentos específicos para obesidade, tornando o custo um dos principais obstáculos para muitos pacientes.
A nova diretriz do American College of Physicians reforça uma mudança importante na forma de encarar a obesidade: trata-se de uma doença crônica que merece acompanhamento médico contínuo e tratamento baseado em evidências.
Semaglutida e tirzepatida consolidam seu papel como as principais opções terapêuticas da atualidade, mas o sucesso do tratamento depende da combinação entre medicação, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional.
Fonte – cliniamulher
