Projeto Itinerante do CREI amplia o acesso a profissionais especializados e aproxima escola, família e estudantes

Para muitas famílias, perceber que uma criança está enfrentando dificuldades na escola pode trazer dúvidas, preocupação e até insegurança sobre qual caminho seguir. Em Teixeira de Freitas, uma iniciativa da rede municipal de educação busca aproximar esse acompanhamento das comunidades.
Em 2026, o Projeto Itinerante do Centro de Referência em Educação Inclusiva (CREI) levou uma equipe especializada para escolas dos distritos de Duque de Caxias, Jardim Novo e Cachoeira do Mato. A proposta é levar o atendimento para mais perto dos estudantes que vivem fora da sede do município.
A equipe reúne profissionais de diferentes áreas, entre eles psicólogo, psicopedagogo, arteterapeuta, assistente social e técnico da Secretaria Municipal de Educação. O trabalho envolve observação, conversas com estudantes, avaliação das situações identificadas e, quando necessário, encaminhamentos.
Nem toda dificuldade escolar significa um transtorno
Uma criança que apresenta dificuldade para aprender, acompanhar determinada atividade, concentrar-se ou relacionar-se com colegas pode estar passando por situações muito diferentes.
Por isso, é importante evitar conclusões precipitadas.
Dificuldades de aprendizagem podem ter diversas causas e precisam ser observadas dentro do contexto da criança. O acompanhamento pedagógico e, quando necessário, a avaliação por profissionais especializados ajudam a compreender o que está acontecendo.
O próprio sistema educacional brasileiro prevê mecanismos para identificar as necessidades dos estudantes e organizar os apoios necessários à participação, aprendizagem e desenvolvimento.
O que o projeto observa dentro da escola?
De acordo com a Prefeitura, o trabalho realizado pelo CREI pode envolver situações relacionadas a dificuldades de aprendizagem, questões emocionais e comportamentais, além da identificação de sinais que indiquem a necessidade de atenção especializada.
A equipe também promove rodas de conversa com os estudantes sobre temas como emoções, convivência e autocuidado.
Os professores recebem orientações relacionadas à saúde mental e a estratégias pedagógicas inclusivas, enquanto as famílias podem receber orientações sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Família e escola precisam caminhar juntas
Quando uma criança apresenta alguma dificuldade persistente, a participação da família pode ajudar a escola a compreender melhor aquilo que está acontecendo.
Mudanças de comportamento em casa, dificuldades de comunicação, alterações na rotina, problemas de interação ou situações observadas pelos pais podem complementar as informações percebidas pelos professores.
Da mesma forma, a escola pode identificar comportamentos ou dificuldades que não aparecem no ambiente familiar.
A educação inclusiva pressupõe justamente uma atuação articulada entre escola, família e profissionais responsáveis pelo acompanhamento do estudante. O Ministério da Educação destaca o papel da família e da escola na construção de ambientes educacionais inclusivos.
Quais sinais merecem atenção?
Não existe uma lista única que determine quando uma criança precisa de avaliação. Entretanto, alguns sinais persistentes podem justificar uma conversa com professores e profissionais da área:
- dificuldade frequente para acompanhar atividades escolares;
- mudanças importantes no comportamento;
- dificuldade persistente de comunicação;
- problemas de interação com outras crianças;
- dificuldade de concentração que interfere nas atividades;
- sofrimento emocional recorrente;
- perda de habilidades que a criança já havia desenvolvido;
- resistência intensa e persistente a determinadas situações da rotina escolar.
Um sinal isolado não significa necessariamente que exista um transtorno ou uma condição de saúde. A avaliação precisa considerar a idade, o desenvolvimento, o ambiente e a história individual da criança.
Inclusão também significa olhar para cada criança
O atendimento especializado não deve ser entendido apenas como uma resposta para estudantes com deficiência.
A proposta da educação inclusiva considera a diversidade existente dentro da escola e busca identificar barreiras que possam dificultar a participação e a aprendizagem.
O Censo Escolar e as orientações atuais do Inep destacam que o planejamento dos apoios deve considerar as singularidades do estudante, suas necessidades e as barreiras existentes no ambiente educacional.
Atendimento mais perto das comunidades
O diferencial do Projeto Itinerante está justamente no deslocamento da equipe até as escolas dos distritos.
Segundo a Prefeitura, em vez de concentrar o atendimento na sede do município, a iniciativa permite que os profissionais estejam diretamente nas comunidades onde os estudantes vivem.
Para as famílias, isso representa uma aproximação entre os profissionais, a escola e a realidade cotidiana dos alunos.
Mais do que identificar dificuldades, a proposta busca criar uma rede de apoio que envolva estudante, família, professores e profissionais especializados.
Para as mães: observar também é cuidar
Muitas vezes, a mãe ou outro responsável é a primeira pessoa a perceber que algo mudou.
Uma criança que antes participava das atividades e passa a demonstrar sofrimento frequente, ou que apresenta dificuldades persistentes na escola, merece ser ouvida e acompanhada — sem comparações e sem rótulos.
Buscar orientação não significa que exista necessariamente um problema grave. Significa procurar compreender melhor as necessidades daquela criança.
Cuidar também é perceber, ouvir e buscar ajuda quando necessário.
Fonte: Prefeitura Municipal de Teixeira de Freitas e referências oficiais do Ministério da Educação/Inep.
Texto: conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher, a partir de informações oficiais.
