Queda de cabelo: deficiência de ferro pode estar relacionada ao problema?
Baixos estoques de ferro podem estar associados à queda difusa dos fios, mas a perda de cabelo tem diversas causas e precisa ser investigada individualmente
Encontrar uma quantidade maior de fios no travesseiro, no ralo do banheiro ou na escova pode causar preocupação. Quando a queda se torna frequente ou intensa, é natural buscar uma explicação.
Entre os possíveis fatores está a deficiência de ferro. O mineral participa de diversas funções do organismo e pode estar relacionado ao funcionamento dos folículos capilares. Porém, isso não significa que toda queda de cabelo seja provocada pela falta de ferro.
A investigação da causa é fundamental, especialmente porque a perda dos fios pode estar relacionada a alterações hormonais, genética, problemas da tireoide, estresse, doenças, mudanças alimentares e outras deficiências nutricionais.
Qual é a relação entre ferro e crescimento do cabelo?
Os cabelos passam por diferentes fases ao longo do seu ciclo de crescimento. Durante a fase de crescimento, os folículos apresentam intensa atividade metabólica e dependem de nutrientes para funcionar adequadamente.
O ferro participa de processos celulares importantes. Quando os estoques do mineral estão reduzidos, essa deficiência pode estar associada a alterações no ciclo dos fios e ao chamado eflúvio telógeno, uma condição caracterizada pelo aumento difuso da queda de cabelo.
Um dos exames utilizados para avaliar os estoques de ferro é a ferritina.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022 reuniu 36 estudos e mais de 10 mil participantes. Os pesquisadores encontraram níveis de ferritina mais baixos em mulheres com determinados tipos de alopecia não cicatricial quando comparadas às mulheres sem a condição.
Os próprios autores, entretanto, ressaltaram que a relação entre deficiência de ferro e queda de cabelo ainda não está completamente estabelecida.
Outro estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, que avaliou mulheres com diferentes tipos de queda capilar, também encontrou resultados que não permitem estabelecer uma relação simples entre deficiência de ferro e perda dos fios.
Ou seja: a falta de ferro pode ser um fator associado, mas não explica sozinha todos os casos de queda de cabelo.
Queda de cabelo pode ser sinal de deficiência de ferro?
Pode, mas não necessariamente.
A queda capilar possui diversas causas. Entre elas estão:
- alterações hormonais;
- predisposição genética;
- doenças da tireoide;
- estresse físico ou emocional;
- infecções;
- mudanças importantes na alimentação;
- perda significativa de peso;
- algumas deficiências nutricionais;
- determinados medicamentos;
- período após o parto.
Uma das situações relativamente comuns é o eflúvio telógeno, que provoca queda generalizada dos fios.
Um detalhe importante é que a queda nem sempre aparece imediatamente depois do problema que a desencadeou. Em alguns casos, ela pode surgir semanas ou meses após situações como febre alta, cirurgia, parto, perda importante de peso ou períodos prolongados de estresse.
Por isso, apenas observar a quantidade de fios que estão caindo não é suficiente para descobrir a causa.
Ferritina baixa significa que preciso tomar ferro?
Não necessariamente.
A ferritina é utilizada para avaliar os estoques de ferro, mas seus resultados precisam ser interpretados dentro do contexto clínico. Outros fatores, incluindo processos inflamatórios, também podem influenciar seus níveis.
Além disso, descobrir que os estoques de ferro estão baixos é apenas uma parte da investigação.
É necessário entender por que o ferro está baixo.
Perdas de sangue, alimentação inadequada, dificuldade de absorção intestinal e outras condições podem estar relacionadas à deficiência.
Nas mulheres, por exemplo, o histórico menstrual pode ser uma informação importante para a avaliação médica, especialmente quando existe sangramento menstrual intenso.
Tomar ferro faz o cabelo crescer novamente?
Essa é uma dúvida comum, mas a resposta depende da causa da queda.
Quando existe uma deficiência de ferro confirmada, corrigir essa deficiência é importante para a saúde. Porém, as evidências disponíveis ainda apresentam resultados divergentes sobre o benefício da suplementação de ferro, isoladamente, para diferentes tipos de queda de cabelo.
Por isso, não é recomendado começar a tomar ferro por conta própria simplesmente porque o cabelo está caindo.
O excesso de ferro também pode ser prejudicial ao organismo. A suplementação deve ser indicada por um profissional de saúde quando houver necessidade.
Quando procurar avaliação médica?
Uma avaliação profissional é especialmente importante quando a queda:
- permanece por várias semanas ou meses;
- aumenta progressivamente;
- provoca falhas ou áreas de rarefação;
- aparece de forma muito intensa;
- vem acompanhada de outros sintomas;
- ocorre depois de uma perda significativa de peso;
- surge junto com alterações menstruais ou outros sinais de alteração hormonal.
Sintomas como cansaço, fraqueza, palidez e redução da tolerância aos esforços também merecem atenção, principalmente quando existe suspeita de deficiência de ferro ou anemia.
Dependendo do caso, o profissional pode solicitar exames laboratoriais e outros procedimentos para investigar a origem da queda.
Cuidar do cabelo também é cuidar da saúde
A queda de cabelo pode ser um sinal de que algo precisa ser investigado, mas não deve ser interpretada automaticamente como falta de ferro.
Uma alimentação equilibrada, acompanhamento médico quando necessário e investigação individualizada são mais importantes do que iniciar suplementos por conta própria.
Quando a causa é identificada, o tratamento pode ser direcionado para o problema específico — seja uma deficiência nutricional, uma alteração hormonal, uma condição dermatológica ou outro fator.
A saúde dos cabelos começa também pela saúde do organismo, mas cada caso precisa ser avaliado de forma individual.
Atenção
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento. Não inicie suplementação de ferro sem orientação profissional.
Fonte: conteúdo originalmente fornecido com informações atribuídas ao especialista citado e referências científicas mencionadas no texto. Material adaptado e reescrito editorialmente pela CLINIA MULHER.
