Sangramento após a menopausa: por que até um pequeno escape merece avaliação

Um episódio isolado também precisa ser investigado. Alterações benignas estão entre as possíveis causas, mas a origem do sangramento deve ser esclarecida.

Sangramento após menopausa? Esteja atenta!

Perceber sangue na roupa íntima depois de passar muito tempo sem menstruar pode provocar dúvidas. Seria a menstruação voltando? Uma consequência dos hormônios? Mesmo quando ocorre em pequena quantidade, o sangramento após a menopausa merece avaliação médica.

A orientação do NHS, serviço público de saúde britânico, é procurar atendimento ainda que o episódio tenha acontecido apenas uma vez. O sintoma pode ter causas benignas, mas também aparecer em doenças que precisam de diagnóstico e tratamento, incluindo o câncer.

Irregularidade na transição é diferente de sangrar depois da menopausa

Durante a perimenopausa, período de transição, os ciclos podem mudar de frequência e intensidade. A menopausa natural é reconhecida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruação, quando não existe outra causa para essa ausência.

Depois desse intervalo, um sangramento vaginal precisa ser avaliado. Isso inclui pequenos escapes e secreções rosadas ou amarronzadas, mesmo sem dor ou outros sintomas.

O uso de anticoncepcionais hormonais pode dificultar a identificação dessa fase, porque alguns métodos reduzem ou interrompem o sangramento. Por isso, o histórico e os medicamentos utilizados devem entrar na avaliação profissional.

Quais são as possíveis causas?

A redução do estrogênio pode deixar os tecidos da vagina e o revestimento interno do útero mais finos. Essas alterações estão entre as causas de sangramento, assim como os pólipos, formações geralmente benignas que podem surgir no colo ou no interior do útero.

Outra possibilidade é a hiperplasia endometrial, um crescimento excessivo do tecido que reveste o útero. Algumas formas dessa condição podem evoluir para câncer.

A terapia hormonal também pode estar relacionada a episódios de sangramento. Entretanto, atribuir o sintoma ao medicamento sem avaliação pode atrasar a identificação de outra causa. O tratamento depende do diagnóstico.

Como funciona a investigação?

O Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa, do Ministério da Saúde, apresenta a ultrassonografia transvaginal como exame complementar inicial na avaliação do endométrio.

Conforme o histórico, os achados e a evolução do sangramento, pode ser necessária uma biópsia. A histeroscopia permite observar o interior do útero e pode orientar a coleta de material para análise.

O documento ressalta que sangramentos persistentes ou recorrentes exigem continuidade da investigação, mesmo quando a ultrassonografia não identifica alterações. A interpretação dos exames também considera o uso e o esquema da terapia hormonal.

O que informar na consulta

Para organizar o relato, vale anotar quando aconteceu a última menstruação, quando o sangramento começou, sua duração e se houve novos episódios. Levar a lista dos medicamentos, incluindo hormônios, e exames anteriores também facilita a conversa.

No SUS, a Unidade Básica de Saúde é uma porta de entrada para o acompanhamento dessa fase da vida. A equipe pode avaliar a situação e encaminhar para especialistas ou outros serviços quando necessário.

O cuidado deve continuar após a primeira consulta, com retorno para discutir resultados e comunicar mudanças. A orientação divulgada pelo Ministério das Mulheres reforça o acompanhamento contínuo durante a transição menopausal e a menopausa.

 

Fontes: NHS — sangramento após a menopausa, Ministério da Saúde — manual de atenção à menopausa e Ministério das Mulheres — atendimento no SUS.

Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher.