Ela perdeu a visão aos 27 anos, enfrentou a depressão e encontrou forças para recomeçar

A história de Beatriz Monteiro Santana mostra que uma mudança dolorosa pode não ser o último capítulo. Depois de perder completamente a visão aos 27 anos, ela enfrentou uma profunda crise e encontrou na patinação um novo caminho.

 

Foto: Arquivo pessoal/Beatriz de Santana

Há momentos em que a vida muda em um instante.

Planos são interrompidos, sonhos parecem desaparecer e aquilo que antes parecia garantido deixa de existir.

Foi o que aconteceu com Beatriz Monteiro Santana.

Diagnosticada com diabetes ainda na adolescência, Beatriz enfrentou complicações da doença que afetaram sua visão. Aos 27 anos, depois de uma cirurgia que não conseguiu recuperar sua retina, ela ficou completamente cega.

A mudança foi devastadora.

Ela precisou aprender novamente a realizar tarefas do cotidiano, adaptar sua rotina e lidar com uma realidade que jamais havia imaginado para si.

Mas, antes de encontrar um novo caminho, precisou enfrentar uma das fases mais difíceis de sua vida.

O período em que ela não queria sair do quarto

Depois de perder a visão, Beatriz passou por uma depressão profunda.

Segundo seu próprio relato, ela se fechou no quarto e perdeu a vontade de continuar. Durante aproximadamente dois anos, enfrentou um período de muita dificuldade até conseguir se abrir novamente para o processo de reconstrução da própria vida.

Foi com acompanhamento psicológico, apoio da família e o desenvolvimento de novas formas de autonomia que ela começou a dar os primeiros passos para um recomeço.

Aprendeu a utilizar a bengala, adaptou o celular e o computador e passou a recuperar, pouco a pouco, sua independência.

Às vezes, recomeçar não acontece de uma vez.

Começa com uma pequena decisão.

Levantar da cama. Pedir ajuda. Aceitar um tratamento. Aprender algo novo. Dar o primeiro passo.

E então surgiu uma ideia inesperada

Um dia, ao ouvir sobre uma mulher com deficiência visual que praticava patinação, Beatriz teve uma ideia que surpreendeu até mesmo sua família:

ela também queria patinar.

Para quem havia acabado de aprender a viver sem enxergar, a decisão parecia ousada.

Mas ela decidiu tentar.

Procurou um projeto voltado a pessoas com deficiência visual e começou a frequentar os treinos. Contou com o acompanhamento de uma atleta voluntária que passou a ajudá-la durante as atividades.

O que começou como uma tentativa de descobrir uma nova atividade acabou se transformando em uma paixão.

E, depois, em profissão.

O medo deu lugar à liberdade

Beatriz passou a participar de provas de patinação de velocidade.

Aos poucos, sua evolução chamou atenção.

Ela competiu em diferentes estados brasileiros e também participou de eventos internacionais, incluindo provas em Nova York e Berlim. Em 2019, chegou ao terceiro lugar em uma competição em Nova York, segundo a reportagem do Sempre Família.

Mas talvez a maior vitória não estivesse em uma medalha.

Estava na sensação de liberdade.

Em entrevista, Beatriz descreveu a sensação de patinar como algo especial, destacando a liberdade proporcionada pelo esporte.

A mulher que um dia acreditou que sua vida havia acabado descobriu que ainda havia muitos caminhos que ela sequer conhecia.

Nem todo recomeço parece possível no começo

Existe uma lição poderosa nessa história.

Quando enfrentamos uma grande perda, nossa primeira reação pode ser acreditar que perdemos também o futuro.

Mas o futuro não desaparece necessariamente porque um plano deixou de existir.

Às vezes, precisamos permitir que uma nova possibilidade nasça.

O recomeço de Beatriz não apagou aquilo que aconteceu.

Ela não voltou a enxergar.

A realidade não deixou de ser desafiadora.

Mas ela descobriu novas maneiras de viver, conquistar autonomia e fazer aquilo que ama.

Recomeçar não é fingir que nada aconteceu.

É aprender a continuar apesar do que aconteceu.

E onde entra a fé?

Para muitas mulheres, a fé se torna especialmente importante justamente nos períodos em que não existem respostas fáceis.

Fé não significa negar a dor.

Também não significa acreditar que dificuldades nunca acontecerão.

Fé pode ser, muitas vezes, a força necessária para dar mais um passo quando ainda não conseguimos enxergar o caminho inteiro.

A história de Beatriz nos convida a pensar sobre isso.

Talvez existam situações que você gostaria de mudar imediatamente.

Talvez exista uma perda que ainda dói.

Talvez você esteja vivendo uma fase em que não consegue imaginar como será o amanhã.

Mas o fato de você ainda estar aqui significa que sua história continua.

Talvez você esteja diante de um novo começo

Não sabemos quais portas ainda serão abertas para cada uma de nós.

Mas sabemos que uma fase difícil não precisa definir toda a nossa existência.

Pode haver um novo projeto.

Uma nova profissão.

Uma nova amizade.

Uma nova maneira de enxergar a vida.

Um novo sonho.

Ou simplesmente uma nova versão de você.

Beatriz encontrou a patinação.

Talvez o seu próximo passo esteja esperando em outro lugar.

Uma mensagem para a mulher que pensa em desistir

Se hoje você está vivendo um momento difícil, não se cobre por ter todas as respostas.

Você não precisa saber como será o próximo ano.

Talvez precise apenas descobrir qual é o próximo passo.

Procure ajuda quando precisar.

Converse com pessoas em quem confia.

Cuide da sua saúde emocional.

Permita-se recomeçar quantas vezes forem necessárias.

E, se a sua fé faz parte da sua caminhada, coloque também esse processo diante de Deus.

Não precisamos compreender todo o caminho para continuar caminhando.

Às vezes, a esperança começa justamente quando decidimos dar mais um passo.