Doença genética rara pode provocar danos neurológicos irreversíveis quando não é identificada e tratada nos primeiros dias de vida.

Teste do pezinho pode fazer diferença para o futuro da criança
Um exame simples realizado nos primeiros dias de vida pode ser decisivo para identificar doenças que, quando não tratadas precocemente, podem provocar consequências graves para o desenvolvimento infantil.
É o caso da fenilcetonúria (PKU), uma doença genética rara que pode ser identificada por meio da triagem neonatal, conhecida popularmente como teste do pezinho.
A recomendação é que a coleta seja realizada preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. No Sistema Único de Saúde (SUS), o exame integra uma rede de acompanhamento que permite realizar a chamada busca ativa quando um resultado apresenta alteração.
Esse acompanhamento é especialmente importante porque, diante de uma suspeita, a família pode ser localizada e encaminhada para investigação e tratamento.
O que é a fenilcetonúria?
A fenilcetonúria é uma condição genética que interfere na capacidade do organismo de metabolizar adequadamente a fenilalanina, um aminoácido presente principalmente em alimentos ricos em proteínas.
Quando a substância não é processada corretamente, ela pode se acumular no organismo e afetar o sistema nervoso.
O problema é particularmente importante durante a infância, período em que o cérebro está em intenso processo de desenvolvimento.
Sem tratamento adequado, a doença pode provocar comprometimento intelectual e alterações neurológicas permanentes.
Por outro lado, quando identificada precocemente e acompanhada corretamente, a fenilcetonúria pode ser controlada, permitindo que a criança tenha desenvolvimento adequado.
Por que a busca ativa do SUS é tão importante?
Um dos diferenciais da triagem neonatal realizada dentro do SUS é a existência de uma estrutura de acompanhamento para os casos que apresentam alterações.
Quando há suspeita de fenilcetonúria, o resultado pode desencadear uma série de ações para localizar o bebê, confirmar o diagnóstico e encaminhá-lo ao serviço especializado.
Esse processo é conhecido como busca ativa.
Na prática, isso significa que a família não precisa depender exclusivamente de descobrir o resultado por conta própria e procurar atendimento depois.
A rapidez é importante porque o tratamento precisa ser iniciado o quanto antes para reduzir o risco de danos ao desenvolvimento neurológico.
O teste particular substitui o teste do SUS?
Não.
Mesmo quando os pais optam por realizar exames ampliados em laboratórios particulares, a orientação é manter também a realização da triagem neonatal oferecida pela rede pública, seguindo as orientações do serviço de saúde.
Isso porque o sistema público possui uma estrutura própria de rastreamento, confirmação diagnóstica e encaminhamento dos casos identificados.
Para os pais, a recomendação é simples: não deixar o teste do pezinho para depois.
Como é o tratamento da fenilcetonúria?
Depois da confirmação do diagnóstico, o acompanhamento deve ser realizado por uma equipe especializada.
O principal tratamento envolve uma alimentação controlada em fenilalanina, o que exige restrição de diversos alimentos ricos em proteínas.
Dependendo da orientação médica e nutricional, podem ser restringidos alimentos como:
- carnes;
- peixes;
- ovos;
- leite e derivados;
- feijão;
- soja;
- outros alimentos com alto teor proteico;
- produtos que contenham aspartame.
Como a restrição alimentar pode reduzir a ingestão de nutrientes importantes, os pacientes geralmente precisam utilizar uma fórmula metabólica especial, prescrita e acompanhada pela equipe responsável.
Por isso, o tratamento não deve ser feito por conta própria. A alimentação precisa ser planejada individualmente por profissionais especializados.
A rotina pode ser desafiadora para as famílias
Embora o tratamento seja capaz de controlar a doença, manter uma dieta restritiva durante toda a vida pode representar um desafio.
A dificuldade de encontrar alimentos com baixo teor de proteína, o custo de determinados produtos e a aceitação da fórmula metabólica podem interferir na rotina das famílias.
Além da dimensão nutricional, existe também um impacto social.
Refeições em família, festas, escola, viagens e outros momentos de convivência podem exigir planejamento adicional para que a pessoa com fenilcetonúria consiga manter sua alimentação de forma segura.
Por isso, o acompanhamento psicológico e nutricional também é importante para ajudar pacientes e familiares a lidar com os desafios do tratamento.
Informação e acompanhamento ajudam a reduzir o impacto da doença
A experiência dos serviços especializados mostra que o cuidado com a fenilcetonúria precisa ir além do diagnóstico.
A criança e sua família precisam de acompanhamento contínuo, orientação nutricional e suporte para manter o tratamento ao longo das diferentes fases da vida.
Iniciativas como oficinas culinárias e acompanhamento multidisciplinar podem ajudar as famílias a encontrar alternativas para tornar a alimentação mais prática e melhorar a adesão ao tratamento.
O objetivo é que a doença não impeça a criança de participar da vida familiar, escolar e social.
Para as mães: não perca o período do teste
O teste do pezinho faz parte dos cuidados essenciais dos primeiros dias de vida.
Por isso:
✔ Faça a coleta no período recomendado.
✔ Guarde as informações do exame e acompanhe o resultado.
✔ Caso seja chamado pelo serviço de saúde, procure atendimento rapidamente.
✔ Nunca interrompa ou altere uma dieta ou tratamento indicado para a criança sem orientação profissional.
Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as possibilidades de iniciar o acompanhamento adequado.
Serviço
Exame: Triagem Neonatal — Teste do Pezinho
Período recomendado: entre o 3º e o 5º dia de vida
Objetivo: identificar precocemente doenças que podem comprometer a saúde e o desenvolvimento do bebê
Onde procurar: unidades da rede pública que realizam a triagem neonatal
Custo pelo SUS: gratuito
Fonte original: material institucional da APAE Salvador, com informações atribuídas às especialistas da instituição e referências do Ministério da Saúde e da Veja Saúde.
Conteúdo adaptado e reescrito editorialmente pelo Clinia Mulher
